June 2005 Archives

DIA DO ATLETA BRASILEIRO

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Os atletas que superam tudo


Há muitos atletas que não se cansam de superar metas. Se superam, são super... Como se escreve: “superatletas” ou “super-atletas”? Acertou quem respondeu a primeira. O prefixo latino “super” só se agrega com hífen a palavras iniciadas por “h” e “r”, como “super-homem”, “super-herói”, “super-resfriado” ou “super-rápido”. No caso de “superatleta”, portanto, não há hífen, como também não há hífen em superdotado”, “superentendido”, superinteressante”, supermãe”, “superpai” etc.

DIA DO ORQUIDÓFILO

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As orquídeas e os testículos


Responda já: como se chama a inflamação nos testículos? Eu ajudo (um pouco): o sufixo (grego) que designa doença inflamatória é “-ite”, presente em “otite” (inflamação no ouvido), “nefrite” (nos rins), “estomatite” (na boca) etc. E a inflamação nos testículos? Vamos lá: é “orquite”. Sim, “orquite”. Será que ... Sim, a orquite e a orquídea são farinha do mesmo saco. As duas palavras vêm de órchis (do grego), que significa “testículo”. Bem, agora só resta lembrar que as orquidáceas têm duas raízes tuberosas, que lembram testículos... Quem diria, não?

INÍCIO DO INVERNO

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O adjetivo relativo a “inverno” e o superlativo de “frio”


Quando dizemos “temperatura de primavera”, podemos trocar a expressão “de primavera” por “primaveril” (“temperatura primaveril”). E qual será o adjetivo relativo à expressão “de inverno”? Não há apenas um, não. Anote aí: “invernal”, “hibernal”. “hiemal”, “hiberno”, “hibernoso”. Em vez de “dia de inverno”, por exemplo, podemos dizer “dia hibernal”, “dia invernal”, “dia hiemal” etc. Bem, um dia hibernal certamente é um dia frio. E se for muito frio? Que se pode usar no lugar de “muito frio”? Caso se queira fazer a troca pura e simples de “muito frio” (forma analítica do superlativo de “frio”) pela forma sintética correspondente, deve-se empregar “friíssimo” (“um dia friíssimo”). Caso se queira simplesmente uma palavra de sentido equivalente ao de “muito frio”, podem-se usar os adjetivos “glacial”, “gélido”, “álgido”, “algente” (“um dia gélido”, “um dia álgido”). “Álgido” e “algente” não são palavras comuns no dia-a dia, mas aparecem com freqüência em textos literários clássicos.

DIA DO CINEMA BRASILEIRO

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“Cinema” ou “Sinema”?


É óbvio que, quando se quer ver um filme, vai-se ao cinema, com “c”. Mas experimente procurar “sinema” no dicionário. Não vale procurar nos minidicionários. Achou? É claro que achou. “Sinema” é “parte da coluna das orquídeas, que representa os filetes dos estames (fios)”. É formada de syn, que vem do grego e significa “junto, juntamente”, e nema, que significa “fio”. E de onde vem “cinema”? Vem da redução de “cinematógrafo”, em que se destaca o elemento grego “cine”, que indica idéia de movimento.

DIA DO QUÍMICO

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O adjetivo relativo ao “cobre”


“Cobre” vem do latim cupru. O adjetivo relativo a esse elemento químico é “cúprico”. É bom lembrar que os símbolos dos elementos químicos têm estreita relação com a origem de seus nomes. O do cobre, por exemplo, é “Cu”; o do chumbo é “Pb”. Não custa aproveitar a ocasião para lembrar que o adjetivo erudito relativo ao “ouro” é “áureo” e que o relativo à “prata” é “argênteo”. O símbolo químico do ouro (aurum, em latim) é “Au”; o da prata (argentum, em latim) é “Ag”. Em português, por sinal, existe a forma “argento”, sinônimo de prata”.

Desertificar, desertar e deserdar


“Desertificação”, é o ato de desertificar, que, por sua vez, significa “transformar em deserto”. E quem abandona uma corporação? É desertor, ou seja, aquele que deserta, do verbo “desertar”. E “deserdar”? É “privar da herança”. Quem deserda o filho, por exemplo, priva-o da herança a que teria direito.

DIA DO PALEONTÓLOGO

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“Experto” e “esperto”


O paleontólogo nada mais é que um indivíduo experto em paleontologia, ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados. Epa! Experto em paleontologia? É “experto” mesmo, com “x”? Sim, com “x”. “Experto” significa “especialista”, “profundo conhecedor de determinado assunto”. Pode-se dizer, por exemplo, que determinada pessoa é experta em música erudita. É bom lembrar que “experto” não vem do inglês, não; vem do latim, mesma fonte de onde vem a forma inglesa (expert). Quanto a “esperto” (com “s”), não se pode esquecer que, além do significado de “vivo”, “atento”, essa palavra tem o de “acordado”, “desperto”. Convém notar que “espertar” e “despertar” são sinônimos.

“A idoneidade é fundamental para os profissionais de Relações Públicas”


Por que as terminações de “idoneidade” e “seriedade” são diferentes? Nesses dois substantivos abstratos existe a noção de “qualidade de” (“idoneidade” é a qualidade de idôneo; “seriedade” é a qualidade de sério). Os substantivos abstratos derivados de adjetivos terminados em “eo” apresentam a terminação “eidade”: de “simultâneo”, faz-se “simultaneidade”; de “espontâneo”, faz-se “espontaneidade”, “de idôneo”, faz-se “idoneidade”. Não se pode esquecer de “contemporâneo” se faz “contemporaneidade” e que de “homogêneo” se faz “homogeneidade”. Os substantivos abstratos derivados de adjetivos terminados em “io” apresentam a terminação “iedade”: de “primário”, faz-se “primariedade”; de “obrigatório”, faz-se “obrigatoriedade”; de “sério”, faz-se “seriedade”. Convém lembrar que, na verdade, em todos os substantivos abstratos aqui citados ocorre o sufixo “-dade”, que se ajusta à palavra primitiva de diferentes maneiras (“honesto/honestidade”, “bom/bondade” etc.).

DIA DE SANTO ANTÔNIO

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“São” ou “Santo”?


Se o nome começa por vogal ou “h”, usa-se “Santo”: “Santo Antônio”, “Santo Henrique”, “Santo Hipólito”, “Santo Estevão”. Se o nome começa por consoante, usa-se “São”: “São Pedro”, “São Cristóvão”, “São Roque”, “São João”. A exceção fica por conta de “Santo Tirso”. Há oscilação no uso de “São” e “santo” em “São / Santo Tomás de Aquino”.

DIA DOS NAMORADOS

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“Namorar alguém” ou “namorar com alguém”?


O verbo “namorar” resulta da redução de “enamorar”, por “aférese” (redução do fonema do início de um vocábulo). Originariamente, esse verbo é usado como transitivo direto, isto é, sem preposição (“namorar alguém” ou “namorar alguma coisa”), como se vê neste trecho de “Aquarela”, de Murilo Mendes: “A montanha lavada inaugura toaletes novas/Para namorar o sol...”. No entanto, no uso comum e mesmo no literário, já é fato consumado o uso de “namorar” com a preposição “com”, considerado legítimo por muitos dicionaristas. A regência “namorar com” se explica pela influência de verbos do mesmo campo semântico (de significado), como “casar” e “noivar” (“casar” ou “casar-se com”, “noivar com”). Quem prefere a sintaxe originária, recomendável no padrão escrito formal culto, deve preferir a construção “namorar alguém”.

“Jacques Cousteau era cidadão e pesquisador exemplar”


Ou será que, no lugar de “exemplar”, deve-se empregar a forma “exemplares”? O que temos aí e um caso bem particular do emprego de um adjetivo (“exemplar”) para qualificar dois substantivos (“cidadão” e “pesquisador”). Que caso particular é esse? As duas palavras que o adjetivo “exemplar” qualifica se referem ao mesmo ser, já que o cidadão e o pesquisador são a mesma pessoa. Em casos como esse, o adjetivo deve ficar no singular: “Cousteau era cidadão e pesquisador exemplar”; “Gosto muito da obra de Caetano Veloso, cantor e compositor inspirado”. No segundo caso, “inspirado” fica no singular, porque tanto “cantor” quanto “compositor” se referem ao mesmo ser (Caetano Veloso)

DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

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O trema já morreu?


Muita gente imagina que o trema tenha morrido. Não, não e não! Na última reforma ortográfica, ocorrida em 1971, a Língua Portuguesa não perdeu o trema, que continua obrigatório quando o “u” é pronunciado atonamente nos grupos “que”, “qui”, “gue” e “gui”, o que se verifica em “freqüente”, “tranqüilo”, “agüentar” e “pingüim”, por exemplo. E o “u” de “extinguir”? Recebe trema? Não, por uma razão muito simples: esse “u” não é pronunciado. Lê-se a sílaba “guir” de “extinguir”, exatamente como lê a de “perseguir”, “conseguir”. Isso também vale para “distinguir”.

DIA DO PÃO

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“Companhia” ou “compania”?


Existe a forma “compania”? Não, essa forma não existe. A única grafia possível é “companhia”. É interessante lembrar que esse vocábulo vem da antiga palavra “companha” (“grupo de pessoas que seguem juntas”), à qual se acrescenta o sufixo “ia”. E de onde vêm “companha” e tantos outros membros da família (“companhia”, “companheiro”, “acompanhar”, “acompanhante”, “companherismo”)? Todas nascem de panis, que vem do latim e significa “pão”. Pois bem, para encurtar a conversa, “companha” vem do vocábulo latino “compania” (cum, equivalente ao nosso “com”, + panis). Em latim, a palavra era usada com o sentido de “pessoas que comem juntas o pão”. Daí o sentido evoluiu para “pessoas que vão ou seguem juntas”. Moral da história: qualquer que seja o sentido (“acompanhamento”, “presença”, “grupo de pessoas”, “sociedade comercial coletiva ou anônima”, “empresa formada por sócios ou acionistas” etc), garfa-se “companhia”, já que, ao fim e ao cabo, em todos esses casos a essência da palavra é a mesma.

DIA DO CITRICULTOR

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“Avise o cliente do recorde na safra da laranja”


Qual é a forma correta: “Avise o cliente do recorde na safra” ou “Avise ao cliente o recorde na safra”? As duas. Os dicionários de regência dizem que a construção “avisar alguém de alguma coisa” é a originária, mas ressaltam que a forma “avisar alguma coisa a alguém” encontra largo registro. O que não se recomenda é algo como “avisar a alguém de alguma coisa” (“Avise aos clientes dos problemas com o elevador”), em que o verbo apresenta dois complementos introduzidos por preposição. Pode-se dizer “Avise aos clientes dos problemas”, de acordo com a sintaxe originária, ou “Avise aos clientes os problemas”.

“Cerca de 342 pessoas”


Viva a liberdade de imprensa! Viva a imprensa livre! Mas que essa liberdade não dê a ela o direito de publicar esquisitices, como esta: “Estavam na conferência cerca de 342 pessoas”. A frase estava nas páginas de um dos mais importantes jornais do país. A expressão “cerca de” indica idéia de arredondamento, portanto não combina com número tão preciso (342). Faz sentido dizer “Cerca de 300 (ou qualquer número redondo) pessoas estavam na conferência”. Quando se sabe o número exato, dispensa-se o “cerca de”.

"Aerosol” ou “aerossol”?


Apesar de sempre se ouvir a forma “aerosol”, pronunciada como se houvesse um “z” (“aerozol”), nenhum dicionário registra essa palavra com apenas um “s”. Só se encontra o registro de “aerossol”, com “ss”. A palavra resulta da soma de “aero”, elemento presente em muitas palavras – vem do grego e significa “ar” - , com “sol”. E é exatamente para preservar a pronúncia da palavra “sol” que se dobra o “s”: “aerossol”.

O plural de “ave-maria”


Qual é o plural de “ave-maria”? É “ave-marias” ou “aves-marias”? O elemento latino “ave” (que significa “Salve!”) é uma interjeição, portanto invariável. O plural de “ave-maria” é “ave-marias”: “Reze três ave-marias”. Já que tratamos do plural de orações, não custa lembrar que o de “pai-nosso” pode ser “pai-nosso” ou “pais-nossos” (“Reze dois pai/s-nossos”). Essa oração também pode ser chamada de “padre-nosso”, que também admite dois plurais: “padre-nossos” ou “padres-nossos”.

ANIVERSÁRIO DA ECO 92

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O “x” de “oxigênio”


O “x” em português não é flor que se cheire. Na hora de ler, o de “fixo” é diferente do de “exame”, que é diferente do de “próximo”, que é diferente do de “lixo”. O de “tóxico”, por exemplo, que muita gente pronuncia como o de “lixo”, na verdade é igual ao de “fixo”. Já o de inexorável” (sinônimo de “implacável”, inabalável”), que muita gente pronuncia como o de “fixo”, é igual ao de “exame”. O de “máximo”, segundo o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” e o “Houaiss”, pode ser igual de “próximo” ou ao de “Fixo”. Quanto ao de “oxigênio”, não há dúvida: só pode ser igual ao de “fixo”.

A Itália em nosso cardápio


Os italianos começaram a chegar ao Brasil no século XIX. Das muitas influências que nos legaram, destaca-se a alimentar. Não são poucos os brasileiros, das mais diversas origens, que não resistem a uma pizza ou a um belo prato de macarrão. O espaguete, por exemplo, é herança italiana. Por falar em “espaguete”, de quantas formas você já viu grafada essa palavra? Certamente de muitas formas. Em português, a grafia padrão é “espaguete”; em italiano, grafa-se spaghetti. Agora vamos às particularidades: em português, “espaguete” é singular (“O espaguete estava ótimo”); em italiano, spaghetti é plural (Gli spaghetti erano ottimi). Plural de quê? De spaghetto, que é o diminutivo de spago, que significa... Sabe o quê? Prepare-se: “barbante”. Ao pé da letra, spaghetti significa “barbantinhos”. Quando você come espaguete, come “barbantinhos” – de massa alimentícia, é claro! A esta altura, é bom verificar a grafia portuguesa de outra iguaria italiana, a lasanha, que muita gente escreve com “z”. É bom gravar: em português, escreve-se “lasanha”, com “s”. A forma italiana é lasagna.

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