November 2004 Archives

Os Degraus

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Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Funeral Blues

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Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.




Poem No. 9 from "Twelve Songs"

W.H. Auden


Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,

Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

Ela

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adiante desponta, cintilante, ela
contorno de uma tarde, infindável
gesticula para o vento, atemporal
este lhe cerca, a cadência exata

respiro, solfejo, determinante
avanço do ponteiro, meu olhar perdigueiro

caminha nas páginas de um livro
seu lábio corrige a dialética
um soluço, licença poética

passo adiante, pulso, pulsante
entro em curto, longo o momento
visito suas partículas, delirante
faço um dengo

e assim passa, distância sepulcral
relutante o cronista passional
caso criminal ao meu coração
seu distrito policial

vai querida, adianta o passo
meu olho protege o seguir
entoa, amarra o cadarço
e volta, preciso sorrir.