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CASA AMARELA

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photo by  Marcio Gama

 

Uma casa amarela no meio de meus sonhos, traz de volta lembranças das mil e uma noites estreladas, refletindo os raios dourados do sol passado, sem sombras, sem medos, onde as alegrias nasciam no horizonte.
Era uma vez uma casa amarela-dourada,palácio das fadas, que teciam no tempo a magia, com fios de ouro, para encantar o tesouro. Mas, a bruxa malvada, invejosa, invadiu a casa amarela e envenenou o mundo da fantasia, deixando na relva a semente da heresia.
Sem sonhos, ninguém vive o hoje de dia.os raios derreteram o ouro e as pedras voam, como balas amargas, disparadas de metralhadoras, acabando com a paz das mil e uma noites, vividas no deserto de Aladim e das princesas encantadas,que, entre estrelas adormecidas, despertavam nas torres altas, o sonho de felicidade;era a liberdade, que existia e sonhava que o futuro a reconheceria. Mas a casa desmoronou! Não sobrou pedra sobre pedra, e o vento da ilusão soprou.
Os sonhos da casa amarela, a casa branca findou .

Schyrlei Pinheiro. 

Fonte: Flickr - Marcio Gama


photo by  Nathalia Leinig


photo by Saskya

 

Chico Buarque - 1976

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

 

 

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